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outubro 12, 2005
Tacto, suavidade, gestos de amor
Ontem, por coincidência, assisti na televisão a dois momentos bastante diferentes mas com mensagens idênticas que davam para reflectir.
Primeiro apanhei um pedacinho de diálogo, numa série ou filme, não sei bem porque eu passeava-me em zapping. No caso havia uma mulher que conversava com um amigo a respeito do seu namorado. Pelo que se entendia, o tal namorado tinha muitos defeitos mas ela estava-lhe muito ligada, e justificava-se dizendo que ele tinha gestos que a tocavam no mais íntimo de si. Como exemplo, mostrou uma carícia, que era contornar-lhe o oval do rosto, ao de leve com a ponta do dedo. Segundo as suas palavras “era como se lhe tocasse na alma”, e a verdade é que o amigo, a quem ela fez a demonstração, também ficou perturbado! E era um gesto tão inocente…
Mais à noite, na TV5, encontrei uma reportagem científica sobre as capacidades de um aparelho cujo nome não me interessou, um scaner-quelquer-coisa, que conseguia registar as reacções nervosas que certos estímulos desencadeavam no corpo humano. E, um dos exemplos que se via muito bem, era que o passar uma mão com alguma rapidez, ou alguma força, sobre qualquer zona do corpo desencadeava uma sensação de determinado grau, mas se a mesma mão passasse muito lentamente e de um modo leve, a reacção era fortíssima. Até mesmo se no primeiro caso fosse uma zona erótica e no segundo não o fosse, a segunda reacção era, de longe, muito mais erotizada.
Donde:
Que a nossa pele é dos órgãos mais eróticos, é um lugar comum, creio eu. Toda a gente o sabe. Mas que a excitação sentida está na relação directa da delicadeza da carícia, não está assim tão divulgado. Ontem fiquei a pensar no assunto. Eu pensava que era mais específico das mulheres. E, na verdade, só posso falar por mim mas os dois casos de ontem abriram outras perspectivas, porque tanto no estudo científico da noite, como no romance da tarde, quer homens quer mulheres reagiram de igual modo.
Podemos acreditar que a doçura e a meiguice têm um grande papel numa relação erótica.
Ainda bem. Como dizia a personagem de ontem, tocar-se na alma pode deixar uma marca fortíssima. E ficamos mais humanos. Gostei de pensar sentir assim.
ML
Publicado por populo às outubro 12, 2005 04:11 PM
Comentários
ML, se têm...a vida encarregou-se de me mostrar isso...leio o teu post e tenho o previlégio de sentir a delicadeza de que falas...e olha, amiga, é bom.
Deixaste-me com (muita) vontade de fazer uma chamada...e isso também é bom!!!
Publicado por: isabel faria às outubro 12, 2005 04:26 PM
Pois, Isabel, este não é muito o meu "tipo" de post, mas não resisti... Foi exactamente como o descrevi, a doçura da ponta do dedo muito devagarinho no contorno do rosto até arrepiava. Era uma cena claramente erótica apesar de não o parecer. Por algum motivo os franceses dizem "avoir dans la peau" quando se está doido por uma pessoa. E depois a justificação científica, foi a tal cereja no bolo!
Ainda bem que vais fazer uma chamada. :)
Mas olha que a voz também é erótica, sabias...?
:)
Publicado por: ML às outubro 12, 2005 06:26 PM
Que bonito texto, ML. Nem lhe chamei post, porque isto é mais uma reflexão, que partilhas connosco. Como dizes na resposta à Isabel, não é muito o teu tipo de post, mas também é. Cá por mim conheço pelo menos duas MLs. Pelo menos!
Publicado por: Gui às outubro 12, 2005 07:54 PM
Nem é preciso pensar muito, ML. Se um homem gosta de uma mulher é porque aprecia a suavidade. A suavidade da pele, sem a menor dúvida, mas a suavidade dos gestos, a suavidade da voz, nós gostamos muito dessa meiguice feminina. Se somos capazes de a transmitir também, isso depende da capacidade de cada um. Mas o gesto do amor é um gesto doce. Quando é sexo puro e duro pode ser mais brusco mas é puramente fisiológico. E o prazer é muito mais breve.
Publicado por: king às outubro 12, 2005 08:08 PM
Eu gosto muito quando escreves este teu tipo de post. E é do teu tipo, sim, tal como aquele sobre o dar a mão.
E claro que é assim - e é-o de ambos os lados, segundo creio e o king acabou de comprovar. Embora o erotismo possa ter muitas expressões, até dentro da mesma relação, claro. A situação que descreves é de uma intensidade lenta, que é muito sedutora. :)
Publicado por: susana às outubro 12, 2005 11:32 PM
Mais uma das tuas comentadoras fieis...
Só posso agora ( cheguei atrazada ) repetir o que já foi dito.
Mas gostei, e identifiquei com o que disseste, ML.
Publicado por: Lua-cheia às outubro 13, 2005 09:49 AM