« Mas que terra estranha | Entrada | Não é o furacão mas… »

outubro 11, 2005

Saúde Mental

Ontem, 10 de Outubro, foi o Dia Mundial da Saúde Mental. Eu nem referi o facto no blog, não porque não me interesse a Saúde Mental (talvez caia até no extremo oposto ) mas porque todos os dias do calendário são “dias” de qualquer coisa. No século XXI os “dias de” substituíram os santos no calendário. Hoje, por exemplo, é Dia Mundial da Luta contra a Dor. A verdade é que às tantas ninguém liga.
Mas a verdade é que o Dia existiu e uma das conclusões que foram divulgadas é que há falta de técnicos
Afinal não é só em Portugal! Reconhece-se que o problema é geral, e o curioso é que o diagnóstico é semelhante ao que se passa cá. Por exemplo «O número de psicólogos cresceu globalmente em 100 países analisados, mas a sua distribuição é considerada pior do que há quatro anos» Onde é que já ouvi isto? Eu sei, por exemplo, que muitos dos nossos serviços públicos na área da saúde mental só funcionam graças a estagiários voluntários que trabalham de graça. Se esses desaparecessem creio bem que as unidades teriam de fechar. Os centros de saúde que têm psicologia contam-se pelos dedos.
E contudo é uma profissão onde existe maior taxa de desemprego.

ML

Publicado por populo às outubro 11, 2005 09:09 AM

Comentários

Isto é a pescadinha de rabo na boca ( ou o ciclo vicioso para ser menos culinário ) porque, para absorver esses técnicos, tem de se gastar dinheiro que é coisa que não há - pelo menos para algumas coisas. Portanto essas pessoas não atendidas vão deixar de trabalhar por depressão, entre outras doenças, e assim produzir menos. E quanto menos se produzir menos dinheiro há. And so on...

Publicado por: zorro às outubro 11, 2005 10:45 AM

Tal e qual, ML.
Posso dar exemplos do que dizes. Há serviços que subsistem graças apenas aos estagiários gratuitos. No dia em que eles "fizessem greve", aquilo acabava completamente.
Por outro lado montar um consultório privado é muito caro, e portanto as consultas regulares ficam caríssimas para os doentes. E isto é um problema de saúde pública.

Publicado por: Joaninha às outubro 11, 2005 10:51 AM

Eu sei, Joaninha. Foi por isso que escrevi aquilo. É chocante o próprio Estado explorar os seus cidadãos, mas é o que se vê.

Publicado por: ML às outubro 11, 2005 06:04 PM

É terrível é que a saúde mental tenha um preço tão elevado, para quem não esteja -ainda- numa situação terrível. Conheço uma pessoa que precisava imenso de acompanhamento psiquiátrico por ter comportamentos violentos que escapavam ao seu controle - e tinha esta consciência -, mas acabou por desistir: os centros do estado só têm casos tão dramáticos que quem seja ainda funcional mas já frágil, fica muito afectado só do convívio. Não tendo dinheiro para o particular, onde na melhor das hipóteses, gastaria cerca de 200 E por mês, numa rotina de psicoterapia, acabou por desistir.

Publicado por: susana às outubro 11, 2005 06:57 PM

Certo, Susana, sobretudo havendo pessoas desempregadas! O privado é complicado ( embora creio que conseguisse mais barato, mas de qualquer modo é sempre caro ) porque o pagamento de um espaço para exercer é inevitavelmente caro, e o IRS não também não é nada leve. Mas deveria haver consultas discretas em Centros de Saúde ou policlínicas que recebessem algum apoio - pelo menos pagar taxas mais baixas.

Publicado por: ML às outubro 11, 2005 07:36 PM

Exacto. Consultas comparticipadas, por exemplo, nos centros de saúde. Com uma triagem adequada dos casos que a poderiam soliciatr, para não se tornar demasiado dispendioso para o Estado. Como prevenção. Até porque não acho mau que o doente, podendo, pague qualquer coisa, para ter a consciência muito concreta de que está a fazer alguma coisa por si.

Publicado por: susana às outubro 11, 2005 08:06 PM

Comente




Recordar-me?

(pode usar HTML tags)