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setembro 30, 2005
Fim do Mundo
Os nomes dos locais muitas vezes são enganadores. Desta vez, porém, foi escolhido com assombrosa precisão. O “ Fim do Mundo”. O fim de um mundo, diga-se.
Porque quando se fala “na linha” a imagem que surge é a imagem oposta. Goza-se com o snobismo das “tias da linha”, e de Estoril e Cascais muita gente que vive longe destas terras e dos seus problemas, tem a imagem das vivendas da marginal ou dos residentes na Quinta da Marinha. Claro que quem conhece a zona, sabe bem que a realidade não é essa antiga fachada. Como em quase todos os sítios em que há grande riqueza há paralelamente ilhas de grande pobreza também.
Ontem a zona do Estoril veio para as primeiras páginas pelo pior dos motivos.
Por o caso de uma família que ardeu juntamente com o local onde vivia. Uma história de pesadelo, que nos deixa estarrecidos, de tal forma é difícil de aceitar.
A história foi abordada, à sua maneira, com o enorme sentimento de delicadeza e sensibilidade que conhecemos na escrita da Isabel Não se pode dizer melhor, e remeto-vos para ela.
Aqui ficam apenas as minhas dúvidas sobre uma história quer parece mal contada:
Afinal o que atrasou a chegada dos bombeiros? Foram avisados muito tarde? Numa época onde toda a gente tem telemóvel, esperaram uma hora para ligarem para os bombeiros? Seria o pânico, talvez, mas é estranho.
Numa casa que é descrita como “barraca” como é que as janelas tinham grades tão fortes? Por mim nunca gostei de grades, se protege de quem queira entrar, a verdade é que impede quem queira sair. Digo sempre isso, e mais uma vez se prova.
E por outro lado porque é que não conseguiram chegar à porta? Será que o fogo começou aí? E do lado de fora não se conseguiu arrombar? Como é que uma barraca pode estar defendida que nem um bunker? Porque o certo é que em incêndios semelhantes, que este infelizmente não foi o primeiro, as famílias perdem frequentemente todos os seus bens, o que já é trágico, mas não perdem as vidas.
Será que esta tragédia vai servir de lição? Tenho dúvidas. A única coisa em que acredito é que a tal transferência que estava prevista dos outros moradores seja acelerada. E é só.
ML
Publicado por populo às setembro 30, 2005 07:50 AM
Comentários
É nestas ocasiões, quando estas situações são capa de jornal que a opinião pública fica ligeiramente abalada. Mas depois volta-se ao mesmo: "eles" não querem è trabalhar, aqueles bairros são ninhos de ladrões e drogados, qunado não salta alto toda a xenofobia e racismo.
Esta pedra fez algumas ondas no charco, mas é só isso. Daqui a pouco tudo passou.
Publicado por: Zorro às setembro 30, 2005 09:30 AM
Eu conheço o Fim do Mundo de passagem. A verdade é que na saída da estrada, quem vai para S.João do Estoril como me acontece, passa por lá. Claro que é já uma franja do bairro, com casas de andares, mas sempre de aspecto degradado.
Contudo é bom de lembrar que Estoril e Cascais não é terra de ricos! Muito pelo contrário! Claro que há uns, famosos, mas a maioria é gente normal que trabalha como os da periferia mais perto de Lisboa.
Publicado por: Estrela-do-mar às setembro 30, 2005 09:44 AM
Pões as mesmas perguntas que eu pus. que são as que saltam à vista: quem está a mentir na história dos bombeiros?
mas esta é aquela para a qual não vejo explicação: Como é possível não arrombar uma porta duma barraca ou até duma casa normal??
Os infelizes lá morreram, as respostas não lhe vão interessar muito, mas essa história dos bombeiros tinha de ser investigada.
Grades nas janelas? Acho horrível, pelos mesmos motivos. Da minha casa posso fugir de todos os compartimentos, estão todos abertos ao exterior. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, isso dá-me uma sensação de segurança...
Publicado por: saltapocinhas às setembro 30, 2005 10:30 AM
A ideia que eu tenho é que num caso destes, tratando-se de uma barraca, até as paredes seriam passíveis de arrombamento... A sério, ainda recentemente uma amiga minha deitou abaixo sózinha as paredes de um anexo de jardim da casa que comprou. Não havia de ser uma construção muito diferente.
Publicado por: susana às setembro 30, 2005 11:09 AM
Mas que história!? :(
Publicado por: Johnny às setembro 30, 2005 02:56 PM